Corra Alcira, Corra


Quarta-feira, Julho 30, 2003


Farvel Dejlige Danmark

Alcira- 7:47 AM |








Mesmo em meio 'a toda a minha dor, não pude deixar de notar um poster em um lanchonete no aeroporto de Copenhagen. Era um anúncio dizendo que se servia café-da-manhã no local, e o café era brasileiro. No anúncio se lia "Brazil's World Coffee - from the Ipanema plantaions". Gozado... mesmo tendo vivido tantos anos no Rio, nunca reparei nas produtivas lavouras de café de Ipanema!

Alcira- 7:47 AM |








Decidi adotar uma postura otimista com relacão à minha volta ao Brasil. Sim, sim, isso mesmo. Vou comecar a fazer planos. Afinal de contas, estou voltando para o Rio, a cidade maravilhosa. Sim, fazer planos é o que eu preciso! Vou comprar biquinis, ir à praia, voltar para a academia e recomeçar o culto ao corpo descoberto e ... atirar em alguém, talvez?

Alcira- 7:46 AM |








Motivos para eu ficar em Copenhagen:
- Verão
- Sol
- Lovely city
- Tivoli no verão
- Tivoli no inverno
- Meu apartamento
- Tinne e Ole
- Heidi e Jan
- Heidi
- Cafés
- Usar a bicicleta como principal meio de transporte

Motivos para eu não ficar em Copenhagen:
- nenhum

Motivos para eu ir para o Rio:
- MINHA MÃE
- Família
- Amigos (menos a Lou, que não mora mais lá)
- Carro
- Praia
- Ir ao médico ou dentista sem ter que vender a alma para pagar

Motivos para não ir para o Rio:
- Violência
- A Lou não está lá
- Violência
- Inverno
- Ter que voltar para a casa da minha mãe
- Longas distâncias
- Grandes mentiras: "vou chegar às 6 em ponto", "vamos combinar", "te ligo"...
- Violência

Alcira- 7:46 AM |






Segunda-feira, Julho 28, 2003


Estou de mudanca hoje. Estarei longe de Copehangen em algumas horas. Pego o avião daqui a 3 dias. Vou me despedir da minha casinha, dos meus queridos amigos Tinne e Ole, do jardim dos fundos, da rua Havdrupvej, do Netto. Vou me despedir da minha vida. Estou aos pedacos...

Alcira- 5:49 AM |






Sábado, Julho 26, 2003


O governo americano divulgou as fotos dos cadáveres dos filhos de Saddam Husseim. Apesar de parecer muito errado e blá blá blá, é difícil ser humano e não gostar de saber e ver mortos duas pessoas tão mauzonas como os filhos de Saddam, que mataram e torturaram tantos inocentes no Iraque. Só tem um probleminha: o governo americano, que vem querendo acabar com a guerrilha no Iraque, provavelmente vai ter um pouco mais de trabalho agora, depois da divulgacão das fotos. Outra: pega meio mal ver o secretário Colin Powel falar da morte dos caras com tanta felicidade. Mais ainda: quando os iraquianos divulgaram fotos dos cadáveres de soldados americanos, todos se sentiram ultrajados!. Será que não seria de bom levar os caras a julgamento? Ou então que matasse a cobra mas não mostrasse o pau. Agora é só sentar e ver os americanso verem seus problemas se multiplicarem no Iraque. Boa, senhor presidente!

Enquanto isso na Inglaterra...

Tony Blair assiste de camarote sua popularidade despencar em queda-livre depois do suícidio do Dr. Kelly, cientista que muito possivelmente abriu a boca e falou que parte do relatório que justificava a guerra no Iraque foi forjado. Senhor Primeiro Ministro, que vergonha!!! Inventar uma estorinha porque não conseguiu justificar uma guerra? Blair, vc é realmente um charme, mas talvez esteja na hora de pegar seu chapéu e paletó e se retirar de fininho...

E assim vai, até hoje as tais armas não foram encontradas, a guerra continua injustificada e Saddam desaparecido.

Alcira- 7:22 AM |






Sexta-feira, Julho 25, 2003


Ontem vi uma reportagem que me tirou so sério. Charles Heston foi condecorado pelo seu amigo íntimo George W. Bush. Para quem não sabe, Charles Heston, além de ator, é presidente da NRA (National Rifles Association). Quem assistiu ao documentário "Bowling for Columbine" viu o cara ser estracalhado por Michael Morre e simplesmente ter que se retirar da sala sem qq cerimônia por não conseguir encontrar um único argumento em defesa do porte e venda indiscrimidada de armas nos EUA. Agora, mais do que nunca, eu aconcelho que todas assistam a esse documentário fantástico e aproveitem para ampliar os horizontes a respeito da idoneidade do excelentíssimo senhor presidente dos EU da América.

Alcira- 2:41 PM |








Terca-feira eu fui ao zoológico de Copenhagen...

Fomos eu, o Bo e o Brian, que estava passando dois dias lá em casa. O zoológico é ESPETACULAR! E pensar que eu só fui porque tinha prometido à Maria do laboratório que iria ao zoo antes de voltar... Tudo é muito bem cuidado e cada animal é patrocinado por diferentes empresas. Eu não sei se tem essa de patrocínio no zoo do Rio... Com excessão do urso polar que estava completamente louco, todos os animais pareciam muito serelepes. Enfim, apesar do assalto para entrar (45 reais), valeu a pena.

Uma das coisas que eu estive pensando depois dessa ída ao zoo foi que como é interessante essa tendência do ser humano de demonstrar um interesse por animais proporcional à semelhanca entre esses animais e o próprio homem. É impressionante a quantidade de cometários do tipo: "olha aquelas focas, nadam que nem gente" ; "olha o Chimpanze de pé, parecem gente"; "olha o babuíno tomando conta do filhote, parece humano". Ou ainda "olha como um urso implica com o outro, parecem criancas". Até eu mesma me pegava achando tudo muito lindo quando conseguia perceber semelhanca com seres humanos (com exceção é claro do comentário da foca!).

Eu, como muitos sabem, sou uma grande fã de seres humanos e acho essa estória de "únicos seres que matam sem motivo aparente" ou "a raca humana não presta" tudo a bunch of crap. Concordo obviamente com muitas críticas feitas aos seres humanos, mas também vejo uma beleza incrível neles. Mas com certeza gostaria que nós achássemos mais graca em outros animais mais simples, mesmo aqueles que nao guardam qualquer semelhanca conosco. Exemplo: duvido que as pessoas passassem tanto tempo olhando um esponja lá paradona ou uma hydra dando cambalhota no fundo do mar.

Alcira- 2:12 PM |








Long time no post... Essa semana está sendo uma boa droga! Tantas despedidas e eu sem conseguir reunir forcas para comecar a empacotar as coisas para a mudanca. Nem consigo pensar em fazer malas. Nem consigo programar nada para os dias que vou passar em NY antes de voltar para o Rio. Nada! Uma depressão!

Alcira- 1:45 PM |






Sexta-feira, Julho 18, 2003


Neste exato momento cai uma chuvarada lá fora. Com trovão e tudo. Já nos últimos dias a Dinamarca esteve fervendo!!! As pessoas estavam passando mal de tanto calor, cozinhando nas ruas. Até os ônibus comecaram a circular com ar condicionados, o que foi uma grande surpresa para mim, já que na minha opinião ar condicionado era um conceito ainda não introduzido nesse país. Ao mesmo tempo no Brasil, pessoas passam perregue de frio e até morrem hipotermia. ISTO É, deu a louca no mundo! Estou com medo de sair nas ruas agora e dar de cara com uma garrafa de coca-cola atirada de um avião enquanto tudo a minha volta se parecer com uma aldeia africana (esse foi um chute espetacular porque eu não me lembro exatamente se no filme aquilo é realmente uma aldeia africana).

Alcira- 4:34 AM |








Aparentemente a Espanha também gosta de novelas da Globo. A TV España, que infelizmente nós só teremos durante um mês (isso foi uma piada), está atualmente transmitindo Terra Nostra. Uma novela brasileira, dublada em espanhol, com sotaque italiano e transmitida às 7 da manhã. Tudo errado!!!

Alcira- 4:19 AM |






Quarta-feira, Julho 16, 2003


Hoje eu fiquei sabendo pela Heidi que uma das técnicas do lab disse que todos estavam quase chorando ontem por causa da minha despedida. Pronto, agora está tudo muito pior. Por que nessa horas a gente não se lembra das coisas ruins e não quer nunca mais voltar ao lugar ou, melhor, lembra das coisas boas com uma atitude do tipo: "pelo menos foi bom a ponto de deixar saudades".
Hoje na verdade, além de chorar a minha cota diária de lágrimas, estava tentando descobrir porque me despedir do laboratório e das pessoas ontem foi tão difícil. Além dessa mania minha de me apegar DEMAIS às coisas, acho que há duas explicacões plausíveis:

a) esse foi a primeira vez que eu me despedi de algo com certeza plena de que jamais teria aquilo novamente. Jamais trabalharei naquele laboratório com aquelas pessoas novamente, até porque eu não quero. Talvez a certeza de essa é uma condicäo definitiva transformou tudo numa coisa muito mais difícil

b) foi difícil porque foi a primeira de muitas despedidas pelas quais vou ter que sobreviver nas próximas semanas. É dessa opcão que eu tenho muito medo... Já estou tendo calafrios só com o "a seguir cenas dos próximos capítulos".

Alcira- 5:22 PM |








Falando em bicicleta, ontem voltando de outro jantar na casa da Heidi às 1.30 da madrugada, tive um problema porque o cabo da marcha da bicicleta soltou e eu tive que vir boa parte do caminho (também ladeira acima) em terceira marcha. Sorte que quando eu achei um lugar iluminado, parei e consegui consertar o cabo sozinha, já que as ruas estavam desertas e não havia ninguém para ajudar.

Agora jogo dos 7 erros:

Se esse episódio tivesse ocorrido no Rio...

1- Eu não usaria bicicleta como meio de transporte
2- Eu não teria bicicleta com medo de ser assaltada
3- Eu não voltaria de bicicleta no meio da madrugada com medo se ser assaltada
4- Eu não pararia no meio do caminho para consertar o cabo da bicicleta com medo de ser assaltada
5- Eu não andaria (nem de carro, nem de bicicleta e muito menos à pé) numa rua deserta com medo de ser assaltada
6- Eu não andaria (nem de carro, nem de bicicleta e muito menos à pé) em ruas escuras com medo de ser assaltada
7-Eu não teria amigas que oferecem jantares, no máximo a gente come pizza e bebe batida de bombom

Alcira- 5:05 PM |








Há algumas semanas gravei um curta seqüência de música no minidisc para ouvir quando estivesse pedalando para os lugares que eu geralmente vou de bicicleta. A seqüência é a seguinte:

1-"In the Middle" - Jimmy Eat World
2-"60 Miles an Hour "- New Order
3-" Immitation of Life" . R.E.M.
4- "Chemicals Between Us" - Bush
5-"What's My Age Again?" - Blink 182
6- "Freestyler" - Bomfunk MC's
7-"Praise You" - Fatboy Slim
8-"Sound of the Underground" - Girls Aloud
9-"Seed" - The Roots

Quando estava indo para o laboratório, todas as vezes que eu alcancava a ladeira maldita no caminho estava ouvindo Immitation of Life. O sacrifício era tão imenso que agora todas as vezes que eu escuto essa música ou qualquer outra coisa na voz do Michael Stipe, eu fico com falta de ar! Eu adoro R.E.M. mas se não ficar freakly in shape a-g-o-r-a vou ter problemas para escutar suas músicas.

Alcira- 4:47 PM |








Quando eu falo que o meu namorado é fissurado por futebol não estou exagerando nem um pouco. Por exemplo, neste momento estou sendo obrigada a assitir um jogo entre Dortmund X Bochum narrado em alemão. Ééééééé isso aí! Pior, também estou escutando detalhes à respeito do Dortmund, que aparentemente tem quatro brasileiros, a citar: Amoroso, Dedé ( que na pronúncia baby do Bo torna-se Dêde), Evanilson, Ewerton.

Alcira- 4:18 PM |








Quando eu era pequena, eu chorava todo dia. Como todo crianca. Chorava porque me machucava, porque não queria ir para a escola (eu sempre fui a mais nova da turma, o terror da vida de qq crianca), porque tinha medo, queria um brinquedo, enfim tudo. Já a minha mãe nunca chorava. De fato, o dia em que eu vi minha mãe chorar pela primeira vez foi o dia em que eu descobri que adultos também podem chorar, mas também concluí que aldultos choram quando por motivos muito fortes!
Tendo descoberto todas essas coisas, pensei: "eu choro todo dia porque sou pequena, mas quando eu crescer, não vou chorar nunca". O problema é que eu cresci e ainda choro todo dia. Por tudo!!!! Que merda!
Várias pessoas acham ser chorona uma qualidade, blá blá blá, mas é uma merda! Principalmente quando não dá para controlar. Um horror! Quando é na frente de pessoas próximas, ocorre um processo inevitável de banalizacão das lágrimas, e ninguém te leva mais a sério "O que foi dessa vez, Alcira?" (extamente como era quando eu tinha 5 anos). Já na frente de pessoas pouco íntimas, pronto é aquele desconforto. E quando se está na frente de dinamarqueses com suas glândulas lacrimais atrofiadas, torna-se um problema social sério.

Alcira- 7:06 AM |








Dito e feito, já paguei mico de novo no laboratório ontem. Na verdade a despedida foi muito triste. Apesar de eu ter passado altíssimos perregues láe ainda que eu estivesse sendo ignorada pela enésima vez durante o MEU almoco de despedida ontem, sem entender nada que as pessoas estavam conversando, foi muito triste ter que ir embora. Aparentemente a tática de me ater às coisas ruins que aconteceram não funciona para melhorar a situacão.
Depois do almoco, ainda tentei enrolar, embromar, catar coisas que eu tinha que fazer no lab, coisas que eu tivesse esquecido, mas depois de um tempo tive mesmo que encarar e me despedir de um por um. Aí foi um horror. Detalhe que chorar na frente de brasileiros é fácil, as pessoas estão acostumadas, dão um tapinha nas costas e pronto. Mas aqui é mais diferente. Na primeira vez, coitados dos vikings... Não sabiam o que fazer: um ficou duro e tenso, a outra riu, a outra chorou comigo... foi um caos! Agora acho que as pessoas estavam meio que esperando, então não foi tão surpreendente, mas igualmente ruim.

O pior é que esse foi o primeiro episódio da série "despedidas". Não vou sobreviver a esse mês.

Alcira- 6:45 AM |






Terça-feira, Julho 15, 2003


Hoje é o meu ÚLTIMO DIA! Estou aqui, sentanda ao computador, inventando todos os assuntos do mundo para escrever e pensar, lendo notícias na Internet, andando para lá e para cá e fingindo que não estou nem aí para a pipoca. Já paguei tanto mico nesse laboratório que realmente não queria chorar hoje (again!). Agora que eu precisava de qualquer pessoa no icq ou msn para me salvar e me distrair desse horror, pronto, ninguém aparece. Pior, as pessoas estão preparando um almoco de despedida para mim, que vai acontecer nos próximos minutos. Quem merece despedidas?
Às vezes eu daria tudo para ser menos sentimental e parar de chorar todo dia, por tudo!

Alcira- 7:28 AM |








Victoria Spice Girl Beckham artista de rap?? O quê???

Alcira- 7:22 AM |








Acabei de ver uma reportagem da Folha sobre um tiroteio na Favela da Maré ontem, que durou a noite toda. Aparentemente os policiais chegaram ao local 13 horas mais tarde, apesar de haver um Batalhão da PM inaugurando pelo Garotinho na MESMA RUA. Por incrível que pareca eu ainda me choquei com a foto de uma casa crivada com 113 tiros. Isso mesmo, 113 na mesma parede!!! E nem os policiais do Posto, nem os do Batalhão ouviram. Tenho que transcrever duas declaracões: "Entra nessa rua. É show de bala" - morador do Complexo e "Não foi assim como o pessoal está falando. Deram uns tirinhos, que sempre tem, aqueles rotineiros" - tenente Souza, responsável pelo Posto que tb funciona na Maré. Boa Garotinho...

É até difícil entender o drill das favelas: CM (Comando Vermelho), TC (Terceiro Comando) , ADA (Amigo dos Amigos !!!!!), TCP (Terceiro Comando Puro). Também tem o CA (Comandos em Acão), CD (Comando Delta), CPM (Comando Para Matar)... Seria engracado se não fosse tão trágico.

É para essa cidade que eu estou voltando...

Alcira- 4:09 AM |






Segunda-feira, Julho 14, 2003


Vou descrever uma das minha pérolas. No prédio onde eu moro, a iluminacão dos corredores é aquela que depois de acionada fica acesa por um curto espaco de tempo e apaga sozinha. Já no porão, onde fica a lavanderia, estacionamento de biciletas e armários, há aqueles sensores de movimento e as lâmpadas se acendem sozinhas. Como existem alguns pontos cegos lá embaixo, eu estou acostumada a entrar e movimentar os bracos para fazer as luzes acenderem mais rápido. A parte ridícula é que, depois de ir ao porão, eu invarialvelmente esqueco que não há sensores nos corredores do prédio, e faco o mesmo ritual para acender as luzes, sendo que neste caso, não funciona. Estava eu imaginando o quanto algum vizinho não se diveritiria se me visse entrando e passando pelos corredores dando uma de moinho holandês, tentando acender as luzes!

Alcira- 5:39 AM |








Não dá para entender a lógica das dinamarquesas. Na praia usam aqueles biquinis imensos, cobrindo tudo, parecendo biquinis de inverno. No entanto, em matéria de calcinhas, usam aqules fio-dentais minúsculos, e pior: com cintura alta!!! Tão alta que quando andam de bicicleta, se a cintura da calca jeans descer um pouquinho já é possivel ver que se trata de um fio detal. Pode? Sou mais a brasileira que (via de regra) anda relativamente comfortável, mas mostra tudo na praia.

Mas não se iludam, os dinamarqueses não são nem um pouco pudicos. Pelo contrário. Quando vão à praia quase todas as mulheres fazem topless. Ainda que seus seios vislumbrem os tornolzelos! Até homens eu já tive o desprazer de ver completamente nús na praia. Desprazer sim, porque vai ver se os Brad Pitt-like são nudistas.

Alcira- 4:49 AM |








Depois do post anterior, me sinto na necessidade de esclarecer que morar fora do Brasil não diminuiu o meu nacionalismo, muito pelo contrário, me sindo mais brasileira do que nunca. A diferenca é que quando se comeca a enxergar as coisas de fora, os problemas ficam mais claros e o senso crítico mais apurado.

A outra coisa que me aconteceu quando eu vim morar fora foi uma total mudanca de atitude com relacao aos problemas do Brasil. Enquanto a gente está aí muita coisa parece insuportável, mas quando a gente está de fora, passa a sentir uma necessidade absurda de respaudar e justificar os nossos problemas, afinal ninguém quer nenhum gringo achincalhando o nosso país. E, de repente, aquele “povinho farofeiro” passa a ser um povo feliz, aquela “galera mau-educada que fala alto” passa a ser um povo “espontâneo”, “o Rio é muito violento” passa a ser “violento sim, mas estamos working on it”. Enfim, a postura muda completamente. A gente defende mais do que senta e malha (sem fazer nada), como é o costume. O aumento da tolerância decorre daí.

O aumento de senso crítico e a mudanca de atitude são tão importantes que seria maravilhoso se todos os brasileiros tivessem essa opotunidade de se olharem do lado de dentro do espelho e vissem o que está acontecendo.

Alcira- 2:52 AM |






Domingo, Julho 13, 2003


Também na sexta-feira peguei a minha passagem de volta. Estarei indo embora no dia 31 de jullho. Realmente não estou acreditando. Eu achava que seria tudo tão diferente comigo, que estaria tão feliz quando tivesse que voltar. Mas pelo jeito, vou cair no clichezão de ficar deprimida e querer morrer ao ter que voltar para o Rio.

Quando eu vim para cá, em agosto do ano passado, tive mil problemas de adaptacão. Subestimei o efeito que o inverno teria sobre mim, e vim para a época mais fria e escura do ano. Por várias ocasiões tudo o que eu queria era voltar para Sunny Rio de Janeiro. Sentia falta de tudo. Por outro lado, fiquei toda feliz porque seria diferente de todas as pessoas que passam um tempo fora do país, já que EU voltaria feliz da vida. Mas várias coisas aconteceram durante essa tempo...

O inverno passou e a bela primavera chegou. Primeiro apareceram as Easter Lillies, seguidas das tulipas e rosas e margaridas. Eu presenciei os sentimentos que a transicão inverno-primavera causa nas pessoas, não só por causa do aspecto visual, mas porque toda aquela beleza vem envolta de um sentimento de alívio e esperanca, depois de toda aquela depressão do inverno. As pessoas, por sua vez, se tornaram muito mais interessantes de se falar, conversar e olhar. O humor de todo mundo (inclusive o meu) mudou radicalmente. Também por conta de todas essas mudancas, a cidade se tranformou em algo muito mais agradável de se aproveitar.

Enquanto isso o Rio se tranformou numa Colômbia, as pessoas continuam sem emprego, se estapeando para fazer o concurso de gari, sendo assaltadas e morrendo com balas perdidas em todos os lugares. Entenderam? É claro que o Rio de Janeiro continua lindo, e nesse momento eu tenho que me agarrar nas coisas boas para arranjar forcas para voltar feliz. Também tenho um plano B: Prozac na veia!

Alcira- 2:24 PM |








Uma coisa que me irrita profundamente nesse povo dinamarquês é o fato de muito álcool ser uma condicão fundamental para diversão. Ô povo para beber! Quer dizer, brasileiro não fica muito atrás. Mas o que irrita é que as pessoas no Brasil se divertem independente de ter álcool. Aqui não é assim. Sem ter uma boa dose de álcool no sangue, os caras praticamente não se divertem. Na verdade, a cultura ao álcool é tão arraigada que um dos problemas da sociedade dinamarquesa hoje é a quantidade de jovens (leia-se fedelhos) que saem de casa e se embriagam. E quando eu falo em bebida, não estou me referindo a cervejinha (4% de álcool) não. Estou falando de vinho (14%), vodka (40%), rum (80%). Só coisa hardcore. Depois de ter saído na sexta e sábado com amiguinhos dinamarqueses estou praticamente semi-morta. Obviamente toda essa esbórnia não vai fazer muito bem para a minha recuperacão dessa gripe ridícula que eu tive semana passada.

Alcira- 2:03 PM |






Quinta-feira, Julho 10, 2003


Será que sou só eu ou o desfecho do caso da estudante que foi baleada na Estácio ficou MUITO mal explicado?

Alcira- 6:38 PM |








Gostar de futebol é ótimo. Eu também gosto. Mas não consigo compreender exatamente a graca do Championship Manager. Vou descrever uma experiência idêntica que eu e a Lou passamos com nossos namorados. Primeiro se monta o time, toma-se uma série de decisões táticas e aí estamos prontos para comecar a jogar, certo? Errado. O jogo não comeca. A "graca" é a parte tática!!! Como assim? E nós, mongamente, esperávamos um jogo emocionante com jogadorezinhos e joysticks e o que vemos é, no máximo, um jogo de letrinhas loucas!
O impressionante é que o Bo consegue facilmente passar vários dias a fio jogando CM. Pior para mim, que tenho que garimpar um espacinho no computador... Acho que estou comecando a visualizar a fissura que o Bo tem por futebol. Quer dizer, gostar de CM aliado ao fato dele saber de cor todos os jogadores do time reserva do Quinze de Piracicaba de 1902 (e o seu correspondente em cada país).

Alcira- 4:02 PM |






Terça-feira, Julho 08, 2003


Descobri que pior que ficar doente, é ficar doente LONGE DA MINHA MÃE!!!!

Alcira- 11:58 AM |








Na final de Wimbledon no sábado passado as irmãs Serena e Venus Williams ficaram em primeiro e segundo lugares, respectivamente e DE NOVO! Que felicidade ver duas mulheres negras e pobres (o trinômio maldito) que definitivamente nasceram país errado, serem as melhores jogadoras de tênis, um esporte essencialmente elitista ainda em vários países.

Alcira- 11:56 AM |






Sábado, Julho 05, 2003


Ainda com relacão ao post anterior, também pela primeira vez assiti no mesmo documentário uma entrevista com Marilyn Manson. See, Marilyn Manson nunca fez muito a minha cabeca, primeiro porque faz muito barulho e me incomoda. Segundo porque o grande lance do cara é ofender a sociedade com a sua aparência, atitude e letras e música. Mas para nós, brasileiros, e pelo menos para o europeu, aquele misensene todo não funciona, ninguém se sente ofendido. Pelo contrário, acha até curioso. Por outro lado, é engracado pensar que artistas como ele, Madonna e outros povoam os piores pesadelos das esposas dos senadores americanos, ou seja, dever cumprido, queridos artistas. Pois bem, ao assitir o cara falar por menos de 5 minutos sobre as acusacões feitas a ele pelos homicícios em Columbine já deu para farejar um alto nível de inteligência por trás de toda aquela maquiagem. Provavalmente, não vou comecar a ouvir seus CD´s, mas Marilyn Manson ganhou meu respeito.

Alcira- 9:29 PM |








Ontem finalmente assisti ao documentário "Bowling for Columbine", que no Brasil, se não me engano, foi traduzido como Tiros em Columbine. Fiquei abismada de verificar a destreza do Michael Moore. Logicamente eu já tinha grande simpatia por ele depois da cerimônia do Oscar, quando ele escrotizou o Bush e criticou a guerra no Iraque, não só para as nêga dele, mas para todo o Planeta. Mas depois de assitir ao documentário, descobri também por quê ele ganhou o tal Oscar. Além da linha de raciocínio e a lógica da estória serem extremamente bem desenvolvidas, o cara faz uso das armas que tem para conseguir demonstrar a verdade. Fiquei genuinamente impressionada. Afinal de contas, um americano com inteligência e senso (auto) crítico não se encontra em todas as esquinas.
Assitir a esse documentário me fez lembrar da minha última empreitada para conseguir um visto para ir ao US visitar uma amiga em NY daqui há um mês, na volta daqui para casa. Americanos são realmente incríveis: além de colocarem obstáculos absurdos para liberarem um visto (o que até certo ponto é compreensível, afinal de contas a America é a Terra Prometida (????)), cobram uma taxa de 700 coroas dinamarquesas para a pessoa dar entrada no pedido de visto DE TURISTA!!! Sendo que se vc não ganhar o visto, amigo ouvinte, um abraco e inté. A grana não volta. Agora, alguém explique qual a lógica de se cobrar uma taxa absurda para ainda avaliar se a pessoa merece ou não o direito de ir VISITAR o país , E POR CONSEGUINTE, GASTAR VÁRIOS DOLARES ajudando a movimentar a rica indústria de turismo? Ainda assim resolvi entrar com o pedido porque a pólítica de visto não vai mudar nunca (pelo menos não enquanto existir uma cidade chamada Governador Valadares) e a diferenca no preco da passagem era pequena fazendo ainda, apesar de tudo, valer a pena.
Aí, tive que preencher um questionário (SIM ou NÃO) que, dentre outras coisas perguntava se eu estava envolvida em alguma atividade ilícita, trafico de bebês e drogas, prostituicão, atividades nazistas ou cumprindo pena. Ainda bem que no rodapé estava explicado que as respostas poderia influenciar na liberacão ou não do visto. Ufa!


Alcira- 9:11 PM |








Ah! Resolvi a bagunca do horário dos posts. Agora só falta a droga dos caracteres!

Alcira- 7:19 AM |






Quinta-feira, Julho 03, 2003


Meu chefe é definitivamente um alien.

Alcira- 9:55 AM |








Acabei de receber um texto do Luis por e-mail. É um texto do MEC que fala que o desempenho de alunos brasileiros ficou em 37o lugar em uma amostra que engloba 41 países. Pior: em 2000, "o Brasil havia ficado em último lugar entre 31 países participantes, mas, com o ingresso de mais dez nacões, o chamado Pisa Ampliado, com provas aplicadas em 2001, a colocacao do país mudou". Na prova de matemática o país ficou à frente da Macedônia, Indonésia, Albânia e Peru e nas provas de matemática e ciências, apenas à frente do Peru. O relatório também afirma que (obviamente) o desempenho dos alunos está diretamente relacionado à quantidade de recursos dispensados pelo governo à educacao de seus jovens, bem como à eficacia no uso de tais recursos na implantacão de programas de educacão. Mas não só isso: a educacão dos jovens está diretamente relacionada à desigualdade na distribuicão de renda, e nesse quesito, o Brasil é o campeão, com um índice de desigualdade de 59,1.
É claro que resolver os problemas sociais brasileiros não é para qualquer um, mas como é possível se admitir que um país como o Brasil, tenha o maior índice de desigualdade na distribuicão de renda??? Como assim???
Passar esse tempo morando na Dinamarca, que numa linha imaginária de diferecas culturais, sociais e econômicas está localizada na extremidade oposta ao Brasil, me abriu os olhos para como as coisas funcionam às avessas no nosso país.
(Parênteses: A Dinamarca:
Quando o cara nasce, os pais passam a receber um dinheiro (BOM) do governo para ser usado para o sustento do filho (obviamente não para educacão e saúde porque isso é provido pelo Estado para TODOS). Quando o cara completa 18 anos, os pais perdem o direito de receber dinheiro, pois o filho teoricamente já está grandinho. Este, por sua vez, passa a receber seu salário (é isso mesmo, salário) de estudante, que vai sustentá-lo enquanto ele estiver em estágio de formacão. Se o moleque terminou o segundo grau-like e não sabe o que fazer, pode decidir fazer um ano a mais de "eletivas" para ter certeza de suas vocacoes, experimentando coisas diferentes e sendo expostos a diferentes estímulos.
Geralmente, o cara nessa época arruma um emprego de verão, um desses que ninguém quer fazer (parênteses: emprego ruim aqui, tipo limpeza, empacotamento, caixa de supermercado, lavagem de carro, carregamento, mudanca, qq coisa no nightshift, são os mais bem remunerados, pois ninguém quer fazer, TÁ?? fecha parênteses) e junta muita grana para ir mochilar pelo mundo, se acabar, conhecer várias coisas, e depois de 1 ano ou seis meses, volta para a seguranca do Reino da Dinamarca para então comecar a faculdade.
Nessa época, o cara volta a receber seu salário de estudante (estou falando de algo em torno de 2500 reais mensais PARA ESTUDAR, querido leitor) e vai morar sozinho.
Obviamente, nessa situacão, o cara não tem pressa de terminar a faculdade e se inserir no mercado de trabalho, afinal de contas, pressa para quê??? Emprego TEM DE SOBRA!!!
Pois bem, quando o cara se forma, vai procurar um emprego. Agora vem a parte boa: enquanto ele não encontrar ou não se interessar pela oferta do momento, ele entra no sistema de welfare do governo para a ter a renda mensal de um desempregado, que varia de acordo com a região, mas que em Copenhagen, por exemplo, para um jovem, gira em torno de 5000 reais mensais.
Todo esse sistema social elimina a divisão da sociedade em classes, e todos vivem num grande bololô. É claro que via de regra, quem trabalha bastante tem uma vida melhor pois os salários também são altos, principalmente se o cara está disposto a trabalhar duro. Mas quem não tem emprego, também tem uma vida MUITO boa, tendo casa, carro, cachorro, comforto e viajando nas férias.
Resumindo o opereta, tudo funciona nessa merda. O cara é apoiado pelo governo desde que nasce e para todo o sempre.
É claro que isso tudo é às custas de impostos absurdos (but then again, absurdos mas pagáveis), o que permite não só o sustento do social, mas saúde, educacão, seguranca, etc. Fecha Parênteses).
Agora, voltando à vida real, pensando em termos de Brasil. Agora fica claro que nós moramos na Dinamarca ao contrário. É claro que os problemas do Brasil são arraigados e históricos, e longe de serem facilmente solucionáveis, mas ter um dos maiores níveis de desigualdade social é difícil de aceitar...
Não pensem que morar fora diminuiu meu patriotismo. Muito pelo contrário, me sinto mais brasileira do que nunca. Apenas exacerbou meu senso crítico.

Alcira- 6:43 AM |








Pedalando para o laboratório ainda a pouco, vi um esquilo correndo no jardim de uma Igreja. Outro dia foi uma raposa atravessando a rua onde eu moro. Algumas das belezas de se morar em Copenhagen...

Alcira- 4:55 AM |






Quarta-feira, Julho 02, 2003


Um ano longe de casa não me fez esquecer como escrever português. O problema é que nesse teclado não existe cedilha. Em compensacão, tenho letrinhas com sons impronunciáveis: å æ ø ...

Alcira- 6:17 PM |








Falando em Manchester United, acabei de assistir a uma entrevista do Beckham depois de ter vestido a camisa 23 do Real Madrid. Enquanto o Bo ía a loucura só por imaginar o que vai ser a próxima temporada com aquele timinho que o Real reuniu, eu estou aqui babando em frente à televisão. Futebol é realmente fascinante. O cara normalmente é feio. Às vezes inclusive é tão feio que deveria ser até interditado. Mas se o cara joga muito, tá automaticamente perdoado. Só que às vezes o cara joga bem e ainda é bonito. Aí socorro! É o caso do Beckham que, dizem os experts, nem é tão bom assim, mas também não precisa! Foi também o caso dos irmãos Laudrup, dinamarqueses que na copa de 98 assutaram a selecäo do Brasil e quando o Brian (íntima) fazia uma gol, deslizava deitado na grama para o deleite de todas as mulheres do mundo. Pois é, futebol é fascinate... Ah, tem também aquele negócio de gol, penalty, falta...

Enfim, David Beckham estava dando entrevista descalco e falando sobre o moleque espanhol que ultrapassou a barreira de seguranca e saiu correndo para abracá-lo. E ele, carinhosamente, retribuiu o abraco. Bem, é claro que em uma situacão dessas, se ele virasse as costas seria um monstro de carteirinha, mas ele é reconhecidamente uma pessoas generosa, além de ser um bom esportista e até ingênuo . Joga bem, bonito, generoso e ingênuo. But then again, casado com uma Spice Girl!

Alcira- 6:14 PM |








Que felicidade. O wish channel na TV à  cabo nesse mês vai ser TVE (TV España). Eu ainda estava com a esperaca de eles escolherem ums canal legal tipo MTV, Discovery ou qq coisa assistível em homenagem ao último mês em que eu estou aqui. Alguém me explica que tipo de propaganda do pacote completo da TV por assinatura essa gente pretende fazer, transmitindo canais como TVE (DUBLADO) e Manchester United Channel como o wish channel do mês. Em um ano que estou aqui, apenas dois meses prestaram. 2 em 12 meses!!!!!

Alcira- 5:55 PM |








Depois que a primavera chegou e é até possí­vel sair sem casaco às vezes, tenho í­do para o laboratório de bicicleta, o que está me fazendo sentir menos alien já que bicicleta é o meio de transporte oficial de quase toda a populacão de Copenhagen. Só que depois de um inverno longo e tenebroso e um outoninho bem frio andando de ônibus (ninguém merece, nem aqui), estou com aquela disposicão de bicho-preguica de férias. Pois bem, quando estou na esquina da minha rua, fui avistada pela Heidi, minha amiga que é famosa por odiar qualquer tipo de transporte público, e que, por não ter carro, vai a QUALQUER lugar de bicicleta, fato que implica em ela estar numa forma que nem se compara com a minha. Ai pensei "me ferrei, vou pagar mico". Mas resolvi encarar o desafio de pedalar 6 quilômetros subindo sem reclamar, botar a língua para fora, dar gracas a Deus pelo sinal fechado ou morrer no meio do caminho. Lá fui eu, muito feliz da vida, escondendo a respiracao ofegante, colocando vírgulas onde elas não cabiam, perguntando coisas que eu sabia que levaria pelo menos uns 500 metros de pedalada para serem respondidas, só para dar tempo de recuperar o fôlego. No fim estava genuinamente feliz com o resultado, achando que abafei, quando, no caminho para o elevador, ela se vira e diz: "I really have to run now, I am late for a meeting. Hahaha, it never took me so long to get here... hihi". Life is hard.

Alcira- 4:06 PM |








Ok, enquanto não consigo ainda mudar todas essas coisas, vou escrevendo. The clock is ticking. Esse blog foi mesmo sugerido e inspirado no meu amigo Bilungo, que achou que essa é uma boa forma de registrar as experiências da vida aqui na Dinamarca. O problema é que estou um pouquinho atrasada: vou voltar no mês que vem, depois de um ano! Azeite. Vou registrar a volta para o Brasil e a experiência de reentrada na atmosfera terrestre (para quem não sabe, a Dinamarca se localiza em outro planeta).

Alcira- 3:32 PM |






Terça-feira, Julho 01, 2003


Finalmente!!! O blog finalmente existe. Nossa, de cara já tive que tomar várias decisões... cores, templates, tamanhos e sei lá mais o quê. Logo eu, que sou péssima para tomar decisões... Acabo sempre comprando dois (duas) quase iguais, só porque não consegui decidir por uma única cor, modelo, tamanho, etc. Enfim, agora ainda tenho que decidir que cara, nome, cor... que esse blog vai ter. Quem merece?

A pior parte é que eu sou completamente ignorante para html e afins. Aí, fui eu comecar a fuxicar textos na internet e páginas sobre blogs para poder entender um pouco mais. Fiquei impressionada com algumas das informacões que eu encontrei. Tão explicadinhas, nível Escolinha Colibri mesmo (h-y-p-e-r-t-e-x-t blablabla). Totalmente adequado para mim. Se as tais páginas exitem, é porque há público. E, repentinamente, não me sinto tão sozinha no mundo................

Alcira- 6:45 PM |





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Alcira Bernardo
a.k.a Al
Abrilhantei o mundo no dia 19/06, 30 anos, carioca de coração, orgulhosa do Brasil, encantada com a Dinamarca.







Esse blog descreve as minhas impressões do dia-a-dia, que muitas vezes, dão vontade de correr. Correr sem parar. Como a Lola, o Forrest...



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