Quinta-feira, Novembro 16, 2006
De Amsterdam ao Rio de Janeiro em poucos dias...Minha estadia em Amsterdam foi breve e quase tranquila. Cheguei na terça de manhã e sem ter dormido na noite anterior. Fiz tudo direitinho e cheguei ao albergue sem maiores problemas. Já estava fazendo um bom frio por lá!
Assim que cheguei, descobri que o albergue em que ía ficar parecia mais uma corporação de tão grande. O resultado disso era que não havia uma cozinha para os hóspedes e nós tínhamos que nos virar comendo na rua - o que eliminava o que é uma das maiores vantagens de probretonas de marré deci como eu se hospedarem em albergues. A notícia não foi muito bem-vinda para meus bolsos já tão furados e erodidos. Sorte que ficaria por lá por pouco tempo. Logo que cheguei, ao invés de dormir, resolvi procurar algo para comer e comecei a andar pela redondeza. Achei que seria mais esperto se eu entrasse no albergue, trocasse de roupa, caísse na cama e dormisse até o dia seguinte, sem ter que me preocupar em comer de novo.
No caminho, passei sem querer pela porta do Museu Van Gogh, e achei que seria uma brilhante idéia entrar daquele jeito mesmo: sem comer e sem dormir. Paguei a pequena fortuna e mais a taxa para fazer a visita guiada. E quaaaaaaase dormi dentro do museu. Isso mesmo. Enquanto no Metropolitan de NY tive quase uma experiência cósmica quando vi meu primeiro Van Gogh, no Museu Van Gogh tive quase uma experiência de sono REM. Nada poderia ter sido melhor qualificada como uma idéia de girico ter entrado no museu daquele jeito. Já que estava lá e tinha pago para entrar, não me conformei em não ver todas as obras, de todas as fases do pintor, mas tenho que admitir que tudo acabou levando muito mais tempo do que o normal porque eu apresentava um leve distúrbio de atenção devido à deprivação do sono.
Saí de lá, comi e voltei para o albergue. 7 da noite já estava dormindo... e segundo minha roomate, de olhos abertos. Que charme!
No dia seguinte, saí cedo e fui explorar a cidade. Algumas coisas pude constatar a respeito de Amsterdam. É uma cidade lindíssima, há várias opções de passeios culturais e museus para se visitar, a cidade é circundada por rios, o que teoricamente torna a vida de qualquer turista mais simples pois é mais fácil de se organizar (qualquer turista normal, não euzinha aqui que passei a maior parte do dia perdida como cega em tiroteio). Além disso, descobri da pior maneira que Amsterdam é a cidade que vai do sol ao granizo em questão de segundos.
Visitei na parte da manhã a Casa de Annie Frank, o que foi uma experiência maravilhosa. Saí de lá realmente chocada. Rodei mais e mais com o firme propósito de chegar ao Musei Rembrant, mas infelizmente a falta de direção, a chuva, o frio de -15 graus e um pequeno acidente de percurso me impediram de conseguir alcançar meu destino. O acidente? Consegui, na confusão de luvas, casacos, cachecol, bolsa e mapa, enfiar a haste do guarda chuva bem dentro do meu olho. Quase causo um acidente pior. Lindio! Mas por sorte tudo ficou bem.
Acho que tudo isso aliado ao frio assutador estavam mesmo anunciando que era hora desta pequena viajante tomar o caminho de casa de volta aos trópicos.
No dia seguinte, às 7 horas da madrugada, segui para o aeroporto para pegar meu vôo de volta à SP. Foi com um pouco de tristeza que me despedi dessa aventura e de todas as pessoas e lugares que deixei para trás. Mas maior foi a certeza de que tudo será repetido muitas vezes ainda.
Consegui driblar a crise dos aeroportos em SP, me enfiei num vôo para o Rio chegando mais cedo do que o esperado, para ganhar um grande abraço de mãe.
E ponto.
Alcira-
3:50 PM
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